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O começo

Se tem uma coisa em que eu sou bom é escrever. Bem, na verdade não sou um escritor tão bom assim. É mais uma comparação com as outras coisas que eu faço. De tudo o que eu faço, bom ou ruim, poderia dizer que escrever é meu forte.
O grande problema, e a maior das ironias, é que eu sou um escritor que não escreve. Que coisa. Logo na única coisa em que eu sou bom, que me dá prazer, eu não consigo ser bom.
Um escritor que não escreve.
Bem, esse sou eu.
E quem mais sofre com isso é Antônio, meu personagem principal para todas as minhas histórias inacabadas. Meu único protagonista. Meu filho único.
Antônio é tudo o que eu quis e o que eu nunca quis ser. Meus sonhos, minhas frustrações, aventuras extraordinárias, histórias fantásticas, uma vida incrivelmente agitada. Antônio sofre. Antônio morre de rir. Vive paixões intensas. Sofre por amores impossíveis, inalcançáveis. Sonha com vidas que poderia ter vivido e imagina coisas que nunca acontecerão. É herói. É bandido. É uma criança com uma imaginação fértil. Um velho desiludido. Um Antônio que prefere ser chamado de Tony.
Antônio é tudo! Tudo o que eu quiser que ele seja. Ele é tão bom que às vezes penso que ele não me merece. Talvez teria sorte melhor com outro escritor. Muito melhor estaria com uma escritora. Mas não, depois paro e percebo que ele está melhor comigo. Antônio faz parte de mim. E a partir de agora farei de tudo para que enfim ele possa ter um fim. Um fim que o levará a um novo começo de um outro fim, que possibilitará um outro começo para um outro fim, para mais um novo começo...

Sejam bem vindos. Esta é a vida de tony.